14 de abril de 2017

1956 - 2016: um singelo tributo a Carrie Fisher



Carrie Frances Fisher tinha a mesma idade da minha mãe. Ambas nasceram em 1956 e completaram 60 anos em 2016. Mamãe, que ainda está nesta galáxia, por sua vez, sempre gostou de musicais, especialmente Cantando na Chuva, estrelado por Debbie Reynolds, mãe de Carrie. Já deu para notar que, no fim das contas, o assunto de hoje gira em torno das mães e de como elas moldam as nossas vidas. 

Eu, sendo boa filha da minha mãe, cresci vendo esse musical, mas eu gostava mesmo era daquela princesa lá, vocês sabem, aquela com os coques e vestido branco. Uma das minhas brincadeiras favoritas na infância era juntar as crianças da vizinhança e fazer de conta que éramos personagens de Star Wars. Eu, invariavelmente era a Princesa Leia.


Mas à medida que fui crescendo, a brincadeira desapareceu. Só não desapareceu meu amor pela personagem. Também pudera: Leia era princesa, senadora, rebelde, líder e tivera que passar por poucas e boas ao longo de três filmes, tudo isso sem desistir e sempre pronta para ajudar quem precisasse. Não me envergonho em dizer que toda a força dela sempre me inspirou muito.

E à medida que fui crescendo, conheci o outro lado da história. Carrie Fisher não era uma princesa de verdade. Ela sofria de transtorno bipolar, depressão, enfrentou problemas com drogas e por anos foi deixada de lado pela indústria sexista de Hollywood. Mas se engana quem pensa que ela deixou de trabalhar, de viver, de se tratar por conta do ostracismo. 

Carrie era uma roteirista e escritora das mais talentosas. Mesmo tendo atuado pouco ao longo da vida, seu nome aparece em centenas de roteiros de filmes e séries e também nas capas de diversos livros que contavam histórias de sua vida pessoal e profissional. Sempre presente em convenções e eventos de cultura nerd, Carrie era sempre solícita com seus fãs, distribuía autógrafos e tirava fotos, mesmo cansada e doida para descansar e tomar uma Coca-Cola. E, embora pouco se fale sobre isso, quase ao fim dessas convenções e eventos, Carrie ia às mesas dos artistas e comprava desenhos e tudo mais, para ajudar a galera das artes.

Carrie Frances Fisher não era perfeita. Assim como Leia Organa não era. Mas em suas imperfeições, ela ensinou valiosas lições: é preciso falar de saúde mental, é preciso aceitar que as pessoas são 100% felizes e realizadas, é estando no lado ruim das coisas que podemos achar o caminho de volta, é preciso pedir ajuda quando nos sentimos mal ou em situações ruins, é normal sentir medo de desafios e medo do futuro, mas não podemos ter vergonha de quem somos. 

As coisas que aprendi com Carrie Frances Fisher são coisas que aprenderia com minha mãe, com uma mãe. E não raro os fãs se referiam à Carrie como uma mãe e ela aceitara esse título de bom grado, sempre de prontidão para dar um conselho útil ainda que fosse através de uns tweets muito doidos. Me dói dizer que demorei demais para juntar em palavras o quanto vou sentir falta da irreverência, da sinceridade e da coragem de Carrie Fisher. Apenas dizer obrigada a ela não seria bastante, mas é o que podemos fazer.

Carrie foi, é e sempre será a princesa do meu coração. E eu só posso dizer que, como uma das milhões de fãs transformadas em filhas por ela, nunca deixarei de amá-la e homenageá-la! Thank you for everything, space mom. I'll never forget you!

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